Geração “Z” é mais mal-educada e realista, diz especialista

Diferente da geração "Y", os "Z" são parecidos com a geração nascida logo após a Grande Depressão, nos anos 1930, pois viram a incerteza econômica pós-2008

Os nascidos a partir de 1992 são a nova turma a ingressar no mercado de trabalho, conhecidos como geração “Z”. Ela é mais mal-educada, mais realista e tão exigente quanto a geração anterior, a “Y”, que compreende aqueles nascidos no fim dos anos 70 e início dos anos 90. 

Enquanto os “Y” cresceram em meio avanços econômicos dos anos 90 e foram crianças rodeada de facilidades oferecidas por seus pais, que obviamente queriam dar uma vida melhor do que aquela que tiveram para seus filhos, a “Z” foi marcada pela crise de 2008 e a ascensão do terrorismo, diz Bruce Tulgan, consultor norte-americano em recursos humanos. O resultado é uma força de trabalho mais pé no chão, cínica e desconfiada por parte dos “Z”.

Confira a entrevista feita pelo jornal Folha de SP com o consultor Bruce Tulga e saiba um pouco mais sobre a geração “Z”.

Folha – Quais as diferenças entre profissionais “Y” e “Z”?

Bruce Tulgan – São duas levas de um grupo só: o dos millenials. Os “Z” são parecidos com a geração nascida logo após a Grande Depressão, nos anos 1930, pois viram a incerteza econômica pós-2008 e o terrorismo. Mas também foram muito protegidos por pais e professores. São precoces, mas imaturos. Esperam que o empregador lhe ofereça aconselhamento, apoio e espaço para errar.

Qual foi o impacto da crise de 2008 nos jovens “Z”?

Esse contexto fez com que os “Z” baixassem suas expectativas de rápida ascensão e confiassem ainda menos nas empresas como provedoras de estabilidade, se comparados aos “Y”. Esperam, mais do que os mais velhos, que os chefes lhes acompanhem e abram exceções, permitindo que escolham tarefas e horários com base em suas preferências.

Quais as queixas dos empregadores em relação aos “Z”?

É que muitos não têm competências comportamentais básicas. Têm dificuldades para dizer “por favor” e “obrigado”, não entendem por que respeitar as regras de vestuário e passam tempo demais no celular durante o trabalho. É um ponto cego na formação.

Como reduzir o número de demissões por comportamento?

Muitas empresas, após a contratação, dão lições ao funcionário sobre como se conduzir em uma reunião ou se comunicar por e-mail. Basta mostrar por que isso é importante para a ascensão profissional dele e incentivar que busque isso por conta própria.

Como os gestores devem lidar com esses mais jovens?

Essa geração não quer só se divertir e receber tudo de mão beijada. Isso é mito. Quer saber o que se espera dela. É preciso deixar clara essa expectativa e agir como coach ou professor. Se o jovem não melhorar, deve ser responsabilizado pela falha.

E como o jovem pode cuidar do próprio desenvolvimento?

Ele deve aprender com o dia a dia e se gerir sozinho, o que vai até contra a forma como foi criado. Vale fazer reunião de aconselhamento com o gestor. E é vital anotar tudo, coisa que muitos não fazem.

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