Hélio Magalhães, CEO do Citi Brasil.

CEO do Citi Brasil crava: “Sem reformas, corremos o risco de um calote”

Na entrevista, Magalhães defendeu a atuação dos empresários nas discussões sobre as reformas do País.

O CEO do Citi Brasil, Helio Magalhães, cravou em entrevista à publicação online da revista Forbes Brasil que se as reformas não forem aprovadas, o Brasil corre um sério risco de ter a nota de rating rebaixada pelas agências.

Na entrevista, Magalhães defendeu a atuação dos empresários nas discussões sobre as reformas do País. Apesar de elogiar o governo Temer, com as medidas econômicas, o empresário afirmou que as incertezas continuam.

“Os empresários deveriam ser mais atuantes no debate sobre os destinos do país. Parte da iniciativa privada, nos últimos anos, esteve afastada da política e delegou muita coisa para o setor público. De uma maneira geral, o brasileiro não discute, não propõe e não cobra os políticos. Por isso, a situação é grave, e a saída da crise não vai ser fácil, o que vai exigir sacrifícios, especialmente na solução dos desequilíbrios fiscais. Todos devem participar do debate para compreender a situação e elaborar um plano correto.”

“Ajudar na discussão, propor ideias, sem se tornar político. Além de explicar a situação à população, que não tem conhecimento sobre o assunto. As pessoas, por exemplo, entendem o impacto da reforma da Previdência? Existe um discurso de que haverá perda de direitos, o que não é verdade: 80% dos pensionistas do setor privado recebem e vão continuar recebendo um salário mínimo. A reforma vai equilibrar receita e despesa e acabar com algumas regalias que tornam a previdência insustentável. Os empresários têm um papel importante de explicar a necessidade dos ajustes.”

As incertezas políticas, para ele, ainda são os grandes impasses dos brasileiros.

“Já há crescimento em alguns setores, apesar de pequeno e modesto. Em alguns indicadores, verifica-se a melhora da confiança, embora esteja impactada pela instabilidade política. As reformas propostas pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e sua equipe geram confiança. Por outro lado, tem uma instabilidade política que não permite entusiasmo. Mesmo assim, o mercado ainda está otimista, o que é manifestado no dólar a R$ 3,16 e na Bolsa de Valores acima dos 71 mil pontos. O CDS (Credit Default Swaps) brasileiro – o seguro para quem investe no Brasil – está no nível que estava antes da crise da delação dos irmãos Batista, da JBS [que acusou o presidente Temer de pagar pelo silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha]. Mesmo assim, as pessoas que têm dinheiro estão ainda um pouco preocupadas com a instabilidade política.”

Por fim, Magalhães afirmou sobre o risco de calote que o Brasil pode ter caso as reformas não avancem. “Sem dúvida nenhuma. Há risco de a dívida bruta brasileira chegar ao nível da Grécia, de aproximadamente 200% em relação ao PIB, sem conseguir prestar serviço para a população. O povo quer isso? O Estado do Rio de Janeiro não consegue pagar serviços básicos da população. As reformas precisam ser implementadas para que o Brasil saia da crise. Falar de direito adquirido é bonito no papel, mas, se não tiver dinheiro, não há direito algum. Os aposentados do Rio de Janeiro têm o direito de receber aposentadoria, mas estão recebendo?”

Comentários

premium

Cadastrar

Para ler suas notificações, registre-se no Giro Business. Nós o manteremos informado sobre os tópicos que mais lhe interessam.

Login com Facebook Login com LinkedIn Cadastrar com e-mail
Já é cadastrado? Clique aqui

Login

Esqueci minha senha

Escreva seu email abaixo e você receberá um e-mail de recuperação da senha