Canadá vai vender maconha recreativa sob controle estatal

No Uruguai, bancos internacionais, sobretudo norte-americanos, pressionam para que comercialização seja encerrada

A província de Ontário, a mais populosa do Canada, vai vender maconha recreativa a maiores de 19 anos pela internet e em lojas controladas pelo governo. O comunicado foi dado nesta sexta-feira (8) pelo ministro provincial da Justiça, Yasir Naqvi.

Com a legalização do consumo da cannabis, Ontário irá estabelecer uma rede de 150 lojas para 2020, entre elas, 80 antes de 1 de julho de 2019, e uma dúzia a partir da legalização, que já tem data marcada: 1º de julho de 2018. As dez províncias e três territórios do país devem estabelecer, antes desta data, formas de distribuição para evitar o tráfico ilícito.

A rede de distribuição terá um severo controle estatal e é uma estratégia encontrada pelo governo para dar  fim ao tráfico de maconha executado por organizações criminosas. Segundo o ministro de Justiça, uma das maneiras mais seguras de fazer isso é criar uma dessas redes de distribuição organizadas e controladas pelo Estado.

Naqvi afirmou que a polícia terá autorização para “confiscar pequenas quantidades de cannabis” que caiam nas mãos de menores de idade, “sem registro no seu histórico penal”, garantiu.

Bancos não gostaram da ideia

O Uruguai passou pelo processo de legalização mais ambicioso do mundo e há menos de dois meses vende maconha em farmácias. A comercialização, contudo, está marcada por incertezas, visto que, segundo reportagem do jornal El País, bancos internacionais, especialmente norte-americanos, estão intervindo na comercialização com o intuito de paralisar as vendas no país.

Algumas farmácias de Montevidéu deixaram de vender maconha devido a pressão de bancos, como Santander e Itaú, que ameaçavam encerrar contas das empresas privadas que têm a concessão da produção da maconha e de alguns clubes canábicos.

O problema parecia ter sido resolvido pela estatal Banco República (BROU), que ofereceu seus serviços às 15 escassas farmácias envolvidas no processo, aos produtores e aos clubes.

Compradores de maconha fazem fila em uma farmácia do bairro Malvín, em Montevidéu. REUTERS

Ainda de acordo com a reportagem, os bancos norte-americanos, Bank of America e Citibank, alertaram que deixariam de operar com o banco estatal caso continuasse com esses serviços.

De acordo com a legislação dos Estados Unidos,  trabalhar com dinheiro proveniente da maconha é ilegal e atenta contra as medidas para controlar a lavagem de dinheiro e ações terroristas.

O BROU rapidamente anunciou que fecharia as contas das farmácias, o que levou a uma crise política no país.

Nos EUA, a questão também está longe de ser resolvida. Mesmo em estados como o Colorado, que tem autorização de vender cannabis, também esbarrara nas leis federais e precisa recorrer ao pagamento unicamente em espécie ou conseguir ajuda de pequenas entidades bancárias.

O fato é que o Canada tem relações bem mais próximas com os Estados Unidos, mas não dá para garantir se o país vizinho terá menos pressão que o Uruguai, já que o presidente Trump não vê com bons olhos a comercialização.

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